Conheça os culpados



Ramon Ribeiro (ou seria Ramon Ramon??)

Começei a tocar guitarra e baixo em 1990. Mas logo após aprender os primeiros acordes não quis saber de tocar músicas dos outros. Formei, ao lado da minha irmã Paula, de sua amiga Juju e de meu primo DJ Juan Daniel, o Cabbageheads, que foi minha empreitada inicial dentro de uma 'banda'. Foram minhas primeiras experiências como compositor. Daí surgiram sucessos como 'Analfabeto não lê' e 'Gato Mia', os quais a gente apresentou diversas vezes para nossos familiares. Antes que eu fosse expulso de casa, a banda acabou. Minha primeira banda pra valer mesmo foi o Wild Shit (o nome já diz tudo...), onde aprendi a tocar como um trio ao lado do Andrei na batera, e do Fábricio na guitarra, por volta de 1991. Tocávamos alguns covers, mas já começamos a arriscar nossas próprias musiquetas em inglês. Foram compostos clássicos como 'Singing in the Fire', 'Crazy Life' e 'Welcome to Moon' que nunca saíram de dentro do quarto do Andrei, onde nós ensaiávamos.

Depois, em meados de 1993, me aventurei tocando baixo no Tree House Lovers, banda que cantava em inglês suas próprias composições e que tinham influências de Lemonheads, Teenage Fanclub, etc... Novamente ao lado de Andrei, mas com André nos vocais e na guitarra. Foi com esta banda que fiz meu primeiro show. Foi num Fest Valda no Circo Voador, onde tocamos 'Luka' da Suzane Vega, na versão mais rockeira feita pelo Lemonheads.

Saí do Tree House e entrei na Homo Sapiens, quinteto em que eu estava ao lado do Andrei (de novo, porém só no começo da banda, pois depois ele foi substituído pelo Andinho), Brunão da Silva no baixo, Rodrigo Bessa na guitarra e voz, Daniel Bessa na porra toda (esse moleque sempre tocou de tudo...). Foi nesta banda que eu recebi meu primeiro cachê: um relógio de camelô. A banda tinha objetivo de crescer, porém não compôs muitas canções. Tocamos em vários festivais em Nitéroi e no Rio de Janeiro, daqueles que você ganha, mas não ganha porra nenhuma... Participamos de 4 Fest Valdas realizados no morro da Urca e tocamos em varios clubes e churrascos ganhando um trocadinho fazendo covers para agradar os outros (coisa que eu não faço nunca mais!!). Apesar de não gostar de todo o repertório do conjunto, esta banda foi a minha grande escola de música, pois rodamos muito por aí e eu aprendi a me comunicar bem com a platéia, sem a ansiedade normal dos iniciantes. Ficamos juntos até 1997, se não me engano.

Deixei a banda e formei o Melt em 1998, junto com o Brunão da Silva no baixo, e na bateria eu nem preciso mais falar porque já é óbvio. O objetivo exclusivo desta banda era tocar por diversão as músicas de conjuntos que adoramos como Pavement, Blur, Supergrass, Flaming Lips entre outras.

Porém eu estava sentindo a necessidade de compôr canções verdadeiras sobre os sentimentos humanos, os tratando de maneira debochada. E começou a desabrochar em mim uma ótica depreciativa interessante, fruto de frustrações sociais e amorosas (muito mais amorosas do que sociais). Foi dái que surgiu o que inicialmente ficou entitulado de Malacabados, que era a idéia de uma banda de rock com uma visão bem humorada dos desastre da vida moderna.

O Brunão da Silva não pode continuar a tocar com a gente e eu e Andrei decidimos chamar o Luiz Velhinho para iniciar este novo projeto, onde iríamos cantar em português e o maior objetivo era fazer um rock que não fosse óbvio, com defeitos e desafinações propositais, acompanhado de melodias tipo as da Jovem Guarda e letras cotidianas salpicadas de muitas ironias.

Essa mistureba resultou no The Feitos que deu início ao seus trabalhos no finalzinho de 1999 e em 2007 lançamos o primeiro disco oficial, ano em que, com a saída de Luiz Velhinho, convocamos o Ale Poser.

Mas, o que é o THE FEITOS pra você ???

Todo o sofrimento que abateu a minha jovem vida foi transformado em canções que ironizam minhas dores e servem de aviso aos que estão dispostos a ingressar no jogo do amor. Quando estava mal, o espelho era o puro reflexo do minha angústia, pois estava acabado e horroroso. Comecei a compôr as músicas sobre os feios e seus desastrosos casos de amor. Felizmente sobrevivi e hoje estou pronto para me ferrar outra vez (e acreditem, já aconteceu outras vezes...)
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